Começava assim a Confusão na pista de dança, ou Ballroom
Blitz,
o hino do glitter
rock, na voz de Brian Connolly, mais o
baixo e segundo vocal de Steve
Priest,
a guitarra e vocais em
falsete de Andy
Scott, e bateria
e vocais igualmente em falsete de Mick Tucker,
the best fuckin' drummer in the world, como preferem
os fãs da banda.
Esqueça o Slade, David "Ziggy Stardust" Bowie, Gary Glitter, Marc
Bolan, Brian Ferry ou Suzi
Quatro. Se alguém
encarnou o Glitter
Rock, este
alguém foi o grupo Sweet.
De promissora banda pop,
com sucessos na Inglaterra, Europa, América do Sul e Ásia, este grupo inglês
surpreendeu o mundo aparecendo no Top Of The Pops, da BBC1, travestidos,
maquiados, purpurinados, afeminados, cantando em falsete e levando as meninas ao
delírio. Hot pants
agora não eram mais exclusividade
feminina. Que o diga Steve
Priest.
No
início de 1968 era formado o Sweet
Shop,
tendo como membros Brian
Connolly, Steve Priest, Mick Tucker e o
guitarrista Frank
Torpey (agachado
na foto 1). Logo o nome do grupo foi encurtado para The Sweet e
em julho eles
lançaram seu primeiro disco, Slow
Motion,
pela gravadora Fontana.
Sucesso? Nenhum. Apresentações em pequenos clubes foram a tônica do ano, que
encerrou com a despedida de Frank
Torpey.
Para
seu lugar, em Janeiro de 1969, foi recrutado Mick
Stewart (no
centro, em pé, foto 3), que já entrou participando de uma
malfadada mini-turnê à Itália. Várias apresentações pela Inglaterra aconteceram, com o grupo sempre à
bordo da mini-van verde de Brian.
Um novo
contrato de gravação
foi assinado, agora com a Parlophone! E o grupo foi gravar no A.I.R. Studios, de George
Martin, e até mesmo em Abbey
Road,
sob a tutela de seu sócio, o produtor John
Burgess.
O primeiro fruto desta união foi o compacto Lollipop
Man,
lançado em Setembro. Outra aparição na Rádio BBC, com direito à
entrevista com Brian
Connolly.
Sucesso? Nada!
E veio
1970. Mais apresentações, frustrações, brigas, e um novo disco, All You'll Ever Get From Me,
lançado em Janeiro. A música tinha tudo
para ser um sucesso de vendas. Novamente tocaram na BBC. Nada. Um ano mais tarde
ela seria quarto lugar nas paradas suecas.
Outro disco, Get On The Line, de Junho, é produzido por John
Burgess e Roger
Easterby.
Eles chegam a colocar músicos de estúdio para tocar no
lado A, mais um grupo feminino para os vocais de fundo. Mas nada acontece com o
grupo. Quatro músicas inéditas ficariam nos arquivos do A.I.R. Studios até 1992.
E o guitarrista Mick
Stewart também
ficou pelo caminho.
Ano novo
e parceria nova. A Gravadora RCA Victor tinha uma dupla de
compositores, Mike
Chapman e Nicky
Chinn e um
produtor, Phil
Wainman,
loucos para explodirem as paradas de sucesso. O Sweet caiu
como uma luva, pois deseja desesperadamente o sucesso e faria qualquer coisa
para consegui-lo.
De
guitarrista novo, Andy
Scott (no centro
em pé, foto 8), eles topam só colocar as vozes nos lados A dos compactos, com
bases gravadas por músicos de estúdio. O primeiro foi Funny
Funny, lançado em
Janeiro. Na
Inglaterra o disco ficou em 13 lugar. Mas em toda a
Europa ele foi primeiro lugar. Até na América do Sul foi sucesso. No lado B uma
linda balada que Andy
Scott deu para
o grupo, seria
sucesso nos shows até a última turnê com a formação original, em 1978. O refrão de Funny Funny era uma "jóia":
And it's so funny funny
What you do, honey, honey
What you do, what you mean to me
And you know, honey, honey
Though it's so funny funny
That you mean all the world to me
Em Junho,
novo disco, Co-Co.
Novamente músicos de estúdio,
incluindo uma banda de tambores de óleo da Jamaica. Tudo para criar mais um
hit, que ficou em segundo lugar na Inglaterra e novamente em
primeiro no resto do Mundo. O lado B, onde podiam tocar, sim era o puro som pesado do grupo, Done
Me Wrong Alright.
Um hard
rock que levava o locutor
da BBC a dizer "adivinhem quem está tocando...
acreditem, não é o "Slade",
é o "Sweet"!" E mais um refrão para a "história":
Ho-chi-ka-ka-ho Co-Co
Ho-chi-ka-ka-ho Co-Co
Ho-chika-ka-ho go go Co-Co
As
apresentações pelos
clubes e na Rádio BBC eram constantes. Em Setembro veio a primeira de
uma série de excursões pela Suécia, onde seus discos eram primeiro
lugar em todas as 3 paradas oficiais de sucesso. Em
Outubro, mais um disco. Outra composição da dupla Chapman-Chinn, que
não agradaria aos fans. A história de Alexander
Graham Bell não era
o assunto que a galera estava a fim de curtir. Mas, incrivelmente,
novo primeiro lugar na Suécia.
Fim de
ano, vendas de Natal chegando e um LP era mais do que bem vindo. Em
Novembro saía Funny
How Sweet Co-Co Can Be,
com um título e capa totalmente bubblegun
Muita
água ainda iria rolar no ano seguinte, até que o grupo se
revoltasse com a prática de não tocarem nos lados A dos compactos e
pudessem gritar a plenos pulmões..
If We Don't Fuck You Then Someone Else Will!
Discografia Sweet (primeira parte)
-
CS Slow Motion / It's Lonely Out There (Fontana TF 958) - 7/68
-
CS Lollipop Man / Time (Parlophone R 5803) - 9/69
-
CS All You'll Ever Get From Me / Juicer (Parlophone R 5826) - 1/70
- CS Get On The Line / Mr McGallagher (Parlophone R 5848) - 6/70
-
CS Funny Funny / You're Not Wrong For Loving Me (RCA 2051) - 3/71
-
CS Co-Co / Done Me Wrong Alright (RCA 2087) - 6/71
-
CS Alexander Graham Bell / Spotlight (RCA 2121) - 10/71
-
LP Funny How Sweet Co-Co Can Be (RCA SF 8288) - 11/71
* Ricardo Pugialli é autor do livro 'No Embalo da Jovem Guarda' e
também especialistas em Beatles e rock inglês, especialmente glam rock.
Senhor F - A
Revista do Rock
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