E foi
isso o que aconteceu no ano de 1974: O Slade, de pedacinho em
pedacinho, acabou de conquistar o mundo (menos a América, ainda).
Em Fevereiro lançaram seu novo LP, “Old
New Borrowed and Blue”, seguindo a linha dos antecessores, indo para o
primeiro lugar das paradas. Trazia novos clássicos de seus shows, como “Just
A Little Bit” e Good Time Gals”, bom como uma canção em
andamento de valsa que logo se tornará seu maior sucesso ao vivo, “Everyday”.
O grupo mal descansou e já começou o ano fazendo sua segunda turnê pelo
Oriente. Uma curta visita à Austrália e depois sua primeira excursão ao
Japão. Durante o vôo para Osaka, uma briga explodiu entre o baixista Jim Lea e o empresário Chas Chandler. Chandler queria
que o novo compacto fosse uma canção retirada do LP que estavam gravando.
Eles nunca usaram músicas de LPs em seus compactos e não ia ser agora que
isso aconteceria. Jim tentou de todas as maneiras, mas seria vencido. “Everyday”
seria lançada em Março e alcançaria a terceira posição, um pouco
decepcionante para um grupo que ia direto para o primeiro lugar das
paradas de compactos.
A turnê japonesa teve shows em Osaka, Kyoto e dois em Tóquio. Eles tocaram
novas músicas e os fãs japoneses queriam os antigos sucessos de 72. Em
seguida voaram para os Estados Unidos, onde fizeram sua quinta turnê
americana. Na América foram acompanhados de dois cineastas contratados por Chandler para escreverem o roteiro de um filme que misturava ficção
e realidade sobre uma banda de rock.
O mês de Maio foi gasto na gravação da trilha sonora deste filme, “Slade
in Flame”, o qual foi rodado nas seis semanas seguintes, em locações
como o Rainbow Theatre, a cidade de Shepperton, fábricas em Sheffield e o Hammersmith Palais. Ele retratava a ascensão
de uma desconhecida banda de rock ao estrelato e todos os problemas que
isso acarretou no relacionamento de seus membros, antes grandes amigos. É
aí que a ficção e realidade se misturavam.
Mas os sucessos não paravam e o novo single, “The Bangin’ Man” já
estava no terceiro lugar em Julho, quando novamente foram ao Top Of The
Pops. O lado B era outra bela balada, She Did It To Me, que fez
um relativo sucesso no Brasil, em um raríssimo compacto-duplo.!
Em Agosto uma nova turnê Européia acontece,
como prévia do lançamento do filme, em Setembro. As críticas iam de “um
bom filme, mas real demais”, “as pessoas não querem ver a realidade do
sucesso”, até bons elogios ao filme e aos atores.
Em Outubro é lançado mais um compacto, “Far Far Away”, da trilha
sonora do filme. Ele entrou em terceiro lugar, chegou ao segundo, mas não
foi número um por causa do disco de Ken Booth. A pergunta entre os
membros do Slade era “que porra é essa de Ken Booth”?
Mais uma turnê Inglesa em Novembro, junto com o lançamento da trilha
sonora “Slade in Flame”. O LP só atingiu o sexto lugar das paradas,
significando que algo estava mudando na vida deste grupo que só acumulava
sucessos nos últimos três anos.
O próximo passo seria arriscado e acabou num grande fracasso, que quase
encerraria a carreira do grupo: eles se mudariam para os Estados Unidos
por dois anos, para conquistá-lo.
E Noddy logo cantaria em
1975:
Não Sou Palhaço de Ninguém...
Discografia – parte 4
- LP Old, New,
Borrowed and Blue (Polydor 2383 261) – 2/74
- CS Slade Talk To "19" Readers (Lyntone LYN-2797) – 2/74
- CS Everyday / Good
Time Gals (Polydor 2058 453) – 3/74
- CS The Bangin’ Man /
She Did It To Me (Polydor 2058 492) – 6/74
- CS Far Far Away / OK
Yesterday Was Yesterday (Polydor 2058 522) – 10/74
- LP Slade in Flame (Polydor 2442 126) – 11/74
* Ricardo Pugialli é autor do livro 'No Embalo da Jovem Guarda' e
também especialista em Beatles e rock inglês, especialmente glam rock.
Senhor F - A
Revista do Rock
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